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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Para aprender: Roteiros de HQ (Warren Ellis)


Coloquei a capa de Fell aqui, pq é mto foda!! :)



Cara aqui vai dicas de como bolar um roteiro certinho de HQ, por um cara fodão...
Achei na net, não sei pra quem dar os créditos da tradução, mas tá valendo, se você é interessando em HQ, e tá afim de começar uma própria, aqui estão algumas preciosas, aproveite bem, vale muito a pena.
Leia, não seja preguiçoso!!


Depois vou falar sobre o livro do Gian Danton - Como Escrever Histórias em Quadrinhos, mas esse como é longo, tenho que ler primeiro e depois fazer uma resenha.

Espero que gostem!!


1.PREPARAÇÃO:

Tranque seus gibis num armário por enquanto. Você vai à biblioteca. Não se pode aprender a escrever lendo gibis. Você vai ler alguns livros de verdade por enquanto. Assim é como todo escritor que conheço aprendeu a escrever: estudando grandes escritores e aplicando as lições aprendidas para seus próprios interesses e objetivos. Você não conseguiu Alan Moore sem Thomas Pynchon, você não conseguiu Eddie Campbell sem Henry Miller, nenhum Grant Morrison sem William Burroughs. Olhe o modo como escritores sérios estruturam suas histórias. Olhe o modo como apresentam o diálogo. Olhe os efeitos que eles conjuram, e esquematize como eles fazem isso. Fique um tempo com Dickens. É, é, eu sei. Cale a boca. Ele tem aplicação especial nos Quadrinhos, porque Quadrinhos ainda são uma forma seriada, e Dickens é o escritor da língua inglesa mais eficiente neste formato que já existiu. O ponto é: entenda como os meninos e meninas grandes colocam palavras juntas no Mundo Real. Ache o que você gosta. Encontre o que funciona para você. E traga isso de volta.

Agora você pode desenterrar seus gibis de novo. Porque você vai destruir suas chances de jamais ter um simples divertimento com eles de novo. Você vai se sentar com aqueles que acha que são realmente bons e vai rasgá-los para descobrir o que está dentro deles. Frank Miller não conseguiu ser Frank Miller até que rasgou e abriu Will Eisner e Johnny Craig e Bernie Krigstein e todas as outras malditas coisas em que ele colocou suas mãos – e descobriu como funcionavam. Você vai ler e apontar e anotar e olhar fixamente pra essas coisas até nunca mais querer vê-las de novo (o efeito se desfaz em uns dez anos).
Você no momento tem quatro ferramentas-extras disponíveis consigo. E pode se considerar sortudo pra cacete por tê-las, porque elas não estavam por aí quando eu era um garoto, vivendo numa vala ao lado da estrada.
São livros.
QUADRINHOS E ARTE SEQÜENCIAL [COMICS AND SEQUENTIAL ART] e GRAPHIC STORYTELLING de Will Eisner. Will Eisner é com certeza o maior inovador ainda vivo do formato Ocidental, e eu diria que ele esqueceu mais sobre Quadrinhos do que a maioria do resto de nós sabe na realidade – mas ele não esqueceu, porque colocou nesses livros. Eles vão te fornecer muitas teorias para considerar, e conselhos para você pegar ou largar à medida que constrói sua própria abordagem, e eles também vão te ajudar a começar a escrever visualmente.
DESVENDANDO OS QUADRINHOS [UNDERSTANDING COMICS], de Scott McCloud, é uma boa e longa olhada em toda a mídia [de HQ], em escala global, esgueirando-se por dentro dela para mostrar a você o material bom. Eisner e McCloud são ambos escritores/desenhistas, então a experiência deles na mídia pode não ser a sua, mas são todos livros fascinantes e educativos.
WRITERS ON COMICS SCRIPTWRITING [ESCRITORES FALANDO DE ROTEIRIZAÇÃO DE QUADRINHOS] é um compêndio de entrevistas exclusivas com escritores de quadrinhos, cada qual acompanhada de uma amostra da sua escrita, tirada das páginas de roteiros originais. Foi publicado pela Titan Books em 1999 [Nota: não no Brasil, blé]. Os entrevistados incluem Garth Ennis, Frank Miller, Grant Morrison, Neil Gaiman e eu. Entenda, esses livros não são bíblias. São visões atentas e informadas sobre a mídia por pessoas que têm feito isso há mais tempo que você.

2. O FORMATO:
Há duas maneiras geralmente aceitas de escrever um roteiro para quadrinhos. A primeira é o estilo desenvolvido por Stan Lee para escrever pencas de malditos gibis por mês. Quando deu o pontapé inicial na Marvel Comics nos anos 60, ele era muito por sua conta responsável por alimentar uma manada bem grande e crescente de desenhistas, em mais de meia dúzia de títulos por mês. QUARTETO FANTÁSTICO, HOMEM-ARANHA, OS VINGADORES, quaisquer gibis em que o DR. ESTRANHO e HOMEM DE FERRO e CAPITÃO AMÉRICA e todos aqueles outros personagens estivessem aparecendo... ele escrevia todos. Era uma produção heróica, uma explosão assustadora de poder criativo sustentado. Mas vai ficar claro que nenhum ser humano pode produzir essa quantidade de roteiro completo [full script] dentro daqueles prazos – e ele estava editando a maldita linha de revistas também, lembre-se.
(Suspeito que haja um livro sobre esses primeiros dias da Marvel que precisa ser escrito – sempre me pareceu ser o Velho Oeste das publicações de quadrinhos; homens estranhos de meia-idade batendo sem parar nas teclas e pranchetas noite adentro, sendo capazes de suportar-se tempo suficiente para produzir esse monte de trabalho seminal, destruidor da saúde.) Então Stan Lee desenvolveu o que chamamos hoje de Marvel-style [estilo Marvel]. Isso envolve primeiro separar a história em prosa, muito rusticamente, deixando para o artista interpretá-la, traduzi-la em quadrinhos desenhados. Essa fase é chamada de Plot [Argumento], e normalmente se parece com isso:
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